John Bunyan (1628-1688)
Autor do livro “O Peregrino”
“Queres conhecer o caminho da cruz?
Olha lá para adiante. Vês um caminho estreito? É por ali que hás de ir. Por ele
passaram os Patriarcas da fé, os profetas, Cristo e os apóstolos: É um caminho
tão direito como uma linha reta. Há desvios por onde se perca um forasteiro?
Sim, tem muitas encruzilhadas, e muitos atalhos bastante largos; mas a regra
para distinguir o verdadeiro caminho é este: sempre reto e apertado.”
In “O Peregrino” ,
John Bunyan, 1688.
Já
se passaram quatro séculos desde publicação do livro “O Peregrino”, livro mais vendido e lido do mundo, ficando atrás apenas da
Bíblia. Seu autor, John Bunyan nasceu em Harrowden, Elstow, Inglaterra. Em 1649 casou-se
com uma jovem mulher. John viveu em Elstow até 1655, quando sua esposa morreu,
e então se mudou para Bedford e se casou de novo em 1659. Bedford hoje é um
próspero centro industrial e ainda conserva alguns traços da época
Um edificio, ainda incrivelmente bem
conservado, onde alguns dizem que o escritor participou dos cultos, é sede
do museu Bunyan, onde o visitante encontra um réplica como seria o lar dele,
como também um pulpito, do qual ele ouviu palavras que influenciaram seus
pensamentos. Também no museu encontra-se a porta de uma prisão onde Bunyan passou 12
anos preso pelo ‘crime’ de andar perto de Jesus e de pregar a verdadeira
mensagem da cruz, contrariando o pensamento das lideranças
anglicanas e católicas de seu tempo. Foi lá, na prisão, que Bunyan escreveu o
livro “O Peregrino”.
Fiel a sua igreja, entretanto Bunyan
não se contentava em receber apenas os ensinos ministrados pelos líderes
religiosos, tornando-se um ávido estudioso da Bíblia. Com este estudo ele
passou a questionar a conduta da igreja e a combater a hipocrisia que via nos
círculos religiosos. Começou a ver o ativismo “cristão” como um pecado fatal,
pois via que era fruto de esforço carnal, sem produzir a vida de Deus.
Embora o vitral da igreja atualmente homangeia o autor e
seu livro, Bunyan com seu estudo da Bíblia passou a discordar fortemente da
igreja. Muitas das cenas de seu livro não só expressam suas lutas íntimas, mas
também a iniquidade que viu na igreja. Isto lhe custou muito sofrimento, fato
resumido por uma placa em seu túmulo: “pagou muito caro por discordar dos
líderes religiosos de seus dias”.
Um pequeno presídio existia próximo a
uma ponte
Em
1658 Bunyan foi processado por pregar sem uma licença,
rebelando-se contra a igreja oficial da Inglaterra. Não obstante, ele continuou
a pregar e não sofreu prisão até novembro de 1660, quando ele foi levado à
cadeia municipal de Silver Street,
Bedford. Alí ele ficou
detido por três meses, mas, por se recusar a conformar ou desistir de pregar
uma mensagem que confrontava os líderes religiosos de seu tempo, sua prisão foi
estendida por 12 anos até janeiro de 1672, quando Carlos II emitiu a Declaração
de Indulgência Religiosa.
Naquele
mês ele se tornou pastor da igreja batista de Bedford.
Em março de 1675, ele foi novamente aprisionado por pregar (porque Carlos II
removeu a Declaração de Indulgência Religiosa), desta vez no cárcere de Bedford localizado na ponte de pedra sobre o rio Ouse. (O
mandado original, descoberto em 1887, é publicado em fac-símile por Rush and Warwick, London).
Após seis meses ele foi liberto e devido ao respeito que as pessoas tinham por
seu ministério, ele não foi mais molestado.
A
luta de Bunyan era fruto da decisão Henrique VIII
(1509-1547), que criou a Igreja Anglicana, uma igreja nacional inglesa de
orientação nitidamente católica. Em 1539, impôs os Seis Artigos, com severas
punições para os transgressores (“o açoite sangrento de seis cordas”). Duas
reações dos protestantes: conformação – por exemplo, o arcebispo Thomas Cranmer a princípio de opôs, mas depois se submeteu e
separou-se da esposa; protesto – Miles Coverdale, John Hooper e outros, que tiveram de fugir do país e foram para a Suíça. Maria
I (1553-1558)
tentou restaurar o catolicismo na Inglaterra, perseguindo e assassinando os
líderes protestantes, notadamente os puritanos. Estes pregavam a purificação da
igreja, defendendo o fim dos elementos arquitetônicos, litúrgicos e cerimoniais,
que consideravam afrontação para com a simplicidade bíblica.
Muitos
pastores puritanos foram cruelmente mortos sob influência da igreja anglicana (uma
espécie de igreja católica sem vínculo com o Vaticano) .
De 1534 até
John
Bunyan sofreu muito na prisão, pois além de sua
esposa possuir uma enfermidade, ele tinha uma pequena filha cega, o que lhe
custava muito tempo de aflições
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