John
Hyde (1865-1912)
“O Apostolo de Oração”
Uma palavra muitas vezes repetida por John Hyde:
“Quando nos mantemos perto de Jesus, é ele quem atrai
as almas a si mesmo através de nós, mas é necessário que ele seja levantado na
nossa vida: isto é, temos de ser crucificados com ele. Em alguma forma, é o
‘EU’ que se levanta entre nós e ele, e por isso o ‘EU’ precisa ser tratado como
ele foi. O ‘EU’ precisa ser crucificado. Somente então Cristo será levantado na
nossa vida, e ele não pode deixar de atrair almas a si mesmo. Tudo isso é
resultado de união e comunhão íntimas, ou seja, comunhão com ele nos seus
sofrimentos.”
1ª. Parte
Testemunho de seu amigo J. Pengwern Jones
Extraído de `Praying Hyde´ (O Homem Que Orava), compilado por Captain E.
G. Carré.
“John Hyde foi grandemente
usado para abençoar minha vida. Já havia lido aquele precioso livro de Andrew
Murray, `Com Cristo na Escola de Oração´, e pude ver neste homem um exemplo
vivo de alguém que estava de fato com Cristo na sua escola de oração. Seu exemplo
deu-me um profundo anseio e também inspiração para me matricular como aluno
nesta escola...
Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote,
deseja `companheiros´, `colegas´, `participantes´, para entrarem junto com ele
no santuário como intercessores. O sumo sacerdote dos tempos antigos tinha de
entrar no Santo dos Santos sozinho, mas nosso Sumo Sacerdote suplica para que
haja companheiros para estarem ao seu lado. Hyde era exatamente isto, e
parece-me estranho que tenhamos tanta relutância em assumir este tremendo
privilégio de ser `co-intercessores´ junto com ele...
A primeira vez que encontrei
John Hyde foi em Ludhiana, no Punjab (na Índia), onde ele morava na época. Eu
fora convidado para falar algumas palavras sobre o avivamento na região dos
montes Khassia, na Índia, para a Conferência de uma missão, que estava
realizando sua assembléia anual nesta época. Viajei a noite toda, saindo de
Allahabad e chegando em Ludhiana de madrugada. Levaram-me para tomar chá junto
com os participantes do congresso, e com os demais que estavam lá. Fui
apresentado a Hyde que estava do lado oposto da mesa. Tudo que disse a mim foi:
`Quero falar com você. Estarei esperando perto da porta.´
Lá estava ele me esperando, e suas
primeiras palavras foram: `Venha
comigo à sala de oração. Queremos você lá.´ Eu não
sabia se era um pedido ou uma ordem. Sentia que tinha de ir. Falei
com ele que havia viajado a noite toda, que estava cansado, e que teria de
falar às quatro da tarde, mas acompanhei-o assim mesmo. Encontramos meia dúzia
de pessoas ali, e Hyde se colocou de rosto em terra diante do Senhor.
Ajoelhei-me, e uma estranha sensação começou a tomar conta de mim. Algumas
pessoas oraram, e depois Hyde começou a orar, e a partir daí não me recordo de
muita coisa. Eu sabia que estava na presença do próprio Deus, e não tinha
nenhum desejo de sair daquele lugar. Na verdade, acho que nem pensei de mim
mesmo ou do lugar onde estava, pois havia entrado em um outro mundo e queria
permanecer ali.
Entramos naquela sala por volta das
oito horas da manhã. Várias pessoas entraram e outras saíram depois disso, mas
Hyde ficou prostrado de rosto em terra, e dirigiu o grupo em oração várias
vezes. As refeições foram esquecidas, e minha sensação de cansaço evaporou. O
relatório do avivamento e a mensagem que deveria entregar, que estavam me
causando tanta ansiedade, saíram totalmente da minha mente, até umas três e
meia da tarde, quando Hyde se levantou. Percebi então que estávamos sozinhos na
sala de oração.
`Você vai falar às quatro
horas,´ ele disse para mim. `Vou levá-lo para tomar uma xícara de chá.´
Respondi que certamente ele também precisava comer alguma coisa, mas ele disse:
`Não, não quero nada, mas você precisa de alguma coisa.´ Passamos rapidamente
no meu quarto, e nos lavamos apressadamente, e em seguida tomamos uma xícara de
chá cada um. Então já estava na hora da reunião.
Ele me levou até a porta, tomou minha
mão e disse: `Entre e fale. Esta é a sua tarefa. Voltarei à sala de oração para
orar por você. Este é o meu trabalho. Quando acabar o culto, venha para a sala de oração outra vez, e
louvaremos a Deus juntos.´ Que sensação, semelhante a um choque elétrico,
passou por mim quando nos separamos ali. Foi fácil falar, mesmo através de um
intérprete. O que eu disse, não sei. Antes de terminar, porém, o intérprete
indiano, sobremodo comovido pelos seus sentimentos e pelo Espírito de Deus, não
conseguiu continuar, e teve de ser substituído.
Sei que o Senhor falou
naquela noite. Falou comigo, e falou com muitos outros. Reconheci o Poder da
Oração. Foi assim que reconheci o poder da oração. Quantas vezes já havia lido
de bênçãos em resposta a oração, mas isto me impactou de tal maneira naquela
noite que desde então procuro alistar guerreiros de oração para orar por mim
todas as vezes que tenho de entregar uma mensagem de Deus. Foi uma das reuniões
mais maravilhosas que já tive o privilégio de experimentar, e sei que foi
resultado do santo guerreiro de oração que estava lá por trás dos bastidores.
Voltei à sala de oração após
o culto, para junto com ele louvar ao Senhor. Ele não fez pergunta alguma, se o
culto fora bom ou não, se as pessoas foram abençoadas ou não, nem pensei em
dizer-lhe da bênção que eu recebera pessoalmente, ou de como suas orações
haviam sido respondidas. Era como se já soubesse de tudo, e como era poderoso
seu louvor ao Senhor! Foi tão fácil para eu louvar ao Senhor junto com ele, e
falar com Deus da bênção que me enviara. Conversei muito pouco com ele naquela
conferência.
Sabia muito pouco sobre ele,
e estranhamente, não tive desejo de dirigir-lhe pergunta alguma. Mas um novo
poder entrara na minha vida, humilhando-me e dando-me uma visão completamente
nova da vida de um missionário, ou até mesmo da vida de um cristão. O ideal que
me foi revelado naquela época nunca se perdeu, pelo contrário, com o passar dos
anos, há um anseio cada vez mais profundo de atingi-lo.
Conversei com alguns
missionários sobre Hyde, e descobri que antes muitos não o haviam compreendido,
mas agora seus olhos estavam sendo abertos ao fato de que este não era um
obreiro comum, mas alguém especialmente revestido com o espírito de oração,
dado por Deus para a Índia para ensinar as pessoas a orar. Anos depois, perguntei-lhe se
naquela época ele havia percebido que os missionários não estavam a favor da
quantidade de tempo que passava
Não pude detectar nele um
átomo de amargura. E realmente agora os missionários já falavam da suas longas
vigílias de oração com aprovação. Provavelmente Hyde não passou uma noite
dormindo durante aquela primeira conferência em que estivemos juntos, e o
Senhor o honrou. Ele não apareceu diante do povo, mas em resposta a suas orações, muitos
foram abençoados. Creio que uma nova era na história da Missão, e na
história da província de Punjab, foi inaugurada naquela época.”
2ª. Parte
Alguns relatos sobre o ministério de John Hyde.
Adaptado do livreto “John Hyde, Apostolo de Oração”. Francis McGraw. Publicado por John Walker em 1975.
John Hyde foi criado num lar
onde Jesus era um hóspede residente, e onde a atmosfera era de oração. O pai de
John, Smith Hyde, era um homem de oração e sempre pedia que o Senhor mandasse ‘trabalhadores
para sua seara’. Não é a toa que Deus envolveu sua família nesta obra.
Em 1892, John Hyde, após ser
chamado por Deus, viajou de navio para a Índia e iniciou, com muitas
dificuldades, o que mais tarde seria um dos mais impactantes ministérios da
igreja cristã.
Com as crescentes
dificuldades para a pregação do evangelho na Índia, os missionários foram
convocados para uma reunião de avaliação e aprofundamento espiritual. Três
homens, John Hyde, R. McCheyne Peterson e George Turner foram tomados por um
tremendo peso de oração por este encontro. Durante 21 dias e 21 noites
antecedentes esses homens se derramaram diante de Deus por um mover do Espírito.
No encontro John Hyde falou
por apenas 20 minutos, mas suas palavras de quebrantamento causaram um enorme
impacto, produzindo um devastador peso em diversas vidas. Vários obreiros foram
tomados por uma impactante confrontação do Espírito e lançaram-se horas a fio
de clamor.
“John não jejuava no sentido
normal da palavra, implorava-se para que ele viesse
comer, ele olhava e sorria: ‘Não estou com forme. Não!’ Havia uma fome
consumindo a sua própria alma, e somente a oração poderia sacia-lo. Diante da
fome espiritual, a natural desaparecia. Ele estava sendo consumido por uma agonia
em favor de salvação de almas. Naqueles dias parecia que nunca perdia a visão
dos homens perdidos no lugar onde morava. Ele gemia dizendo: ‘Pai dê-me estas
almas, senão eu morro!’
Durante este tempo ele
firmou uma aliança com Deus. Era pela conversão de uma alma por dia, não menos.
Não meros interessados, para pessoas prontas para confessar a Cristo e ser
batizada em seu nome. Ele voltou para seu distrito e não ficou desapontado.
Eram noites de vigílias, jejum, dor, viagens e conflitos, mas coroadas pela
vitória. No primeiro ano ele colheu 400 pessoas firmes em Cristo.
Ele ficou satisfeito com
isto? Não. Ele dizia que não podia estar
satisfeito se seu Senhor não estava. Mais um ano e foram mais 800 pessoas fiéis
a Cristo. Então ele pediu ao Senhor quatro almas por dia. No dia em que isto
não acontecia, de noite havia um peso imenso em seu coração, sendo-lhe
impossível comer e dormir. Então em oração ele pedia ao Senhor para lhe mostrar
que obstáculo na sua vida estava impedindo de mais pessoas converterem-se a
Cristo”.
Quando chegou à Inglaterra
ele foi visitar alguns amigos no País de Gales. Enquanto estava lá, soube que
dois servos do Senhor estavam realizando uma campanha evangelística
“Ó Jerusalém, sobre os teus muros pus guardas, que
todo o dia e toda a noite jamais se calarão; ó vós, os que fazeis lembrar ao
SENHOR, não haja descanso em vós, Nem deis a ele descanso, até que confirme, e
até que ponha a Jerusalém por louvor na terra”.
Isaías 62: 6-7
Há alguns que sabem que Deus os tem escolhido e
ordenado como guardas. Há alguns que vivem tanto tempo em intimidade com Deus
que ouvem a sua voz e recebem ordens diretamente Dele, que têm privilégio de
cuidar, juntamente com o Senhor, dos assuntos de seu Reino.
John Hyde era um desses.
Site Rei Eterno. http://reieterno.sites.uol.com.br