A visita do Papa

A visita do Papa ao Brasil


Um católico me fez uma pergunta: “- Que achou da visita do meu líder espiritual, o santo-padre, o Papa?” Talvez esperasse uma resposta de crítica a Bento XVI, tal como muitos fizeram antecipadamente. No entanto, minha resposta desconcertou a estimada pessoa.

 

Talvez conduzido pela curiosidade, acompanhei com certo interesse as palavras do Papa no Brasil. Exceto a canonização do Frei Galvão, seqüência de um insistente erro da Igreja Católica em transformar homens mortais em mediadores divinos, condição unicamente ocupada por Jesus, pude ver uma seqüência de palavras incontestáveis, e bíblicas, sobre diversos assuntos.

 

Fiquei observando a Rede Globo, tão entusiasta e devota. Divulgou com extremo interesse todos os momentos do Papa no Brasil e fez uma forte cobertura de seus passos, provocando até fúria de muitos contra a interrupção da transmissão de uma corrida de Fórmula 1, em favor da transmissão de uma das missas.

 

Como seria saudável se a Rede Globo, que sempre se apresentou com orientação católica, ouvisse o Papa e colocasse em prática suas palavras proferidas no Brasil. Certamente seria um fato de profundo impacto positivo ao nosso País. Pense em novelas combatendo o divórcio, o aborto e práticas sexuais condenadas por Deus. Pense em novelas ensinando aos jovens a seriedade, o sexo apenas no casamento, a importância da família nos padrões divinos, a responsabilidade dos cônjuges em criar seus filhos na vontade de Deus. Continue imaginando mais: programação livre de pornografia, sensualidade, violência, banalidades e outras coisas rejeitadas por Deus. Não precisa você perguntar sobre as outras emissoras, pois todas vomitam lama sobre os lares do Brasil.

 

Imagine a repercussão de um arrependimento dos adeptos de filosofias que tentam unir o cristianismo com lutas político-sociais e que procuram minar o verdadeiro sentido do ensino de Jesus. Acertadamente, o Papa bateu forte contra a mistura de assuntos espirituais com estes movimentos. E ainda relatou que o ambiente político na América Latina está se tornando perigoso ao cristianismo, fazendo até menção de um quadro que parece conduzir às mesmas perseguições contra a igreja primitiva. Quem lê publicações especializadas em missões, sabe que isto é uma verdade cruel.

 

Não é de se espantar que a visita do Papa tenha sido um fracasso de público. A principal missa teve apenas cento e cinqüenta mil presentes, contra a previsão superior a um milhão. A imprensa não digeriu bem suas palavras e lemos críticas violentas por toda a parte, principalmente por aqueles segmentos que se sentiram mais ofendidos com a verdade. Queriam um Papa “politicamente correto”, ou seja, abrindo mão das verdades divinas para aliar-se com movimentos e filosofias ofensivos a Deus.

 

Respondi ao amigo católico que considerei positiva a sua visita ao Brasil, com a devida ressalva de assuntos relacionados à idolatria. E disse que era uma pena que a maioria absoluta dos católicos tenha, abertamente ou na sua prática, rejeitado ou ignorado as palavras de seu líder. Caso contrário, haveria uma santa revolução no Brasil. O amigo olhou para mim e disse: “O pior é que isto é verdade”. E não tocou mais no assunto.


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