A
sabedoria do homem não serve para Deus
Madame Guyon (Ano: 1678)
“...
respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que
escondestes estas coisas aos sábios e entendidos, e a revelastes aos
pequeninos. Sim Ó Pai, porque assim te aprouve.”
Mateus
11: 25-26
Se estiveres completamente convencido de que é sobre a
esterilidade do homem que Deus estabelece suas maiores obras, estarás, em parte, protegido contra a decepção ou surpresa.
Ele destrói para poder edificar, pois quando está prestes a edificar Seu
sagrado templo em nós, Ele primeiro arrasa totalmente esse fútil e pomposo
edifício que as artes e os esforços humanos erigiram, e, de suas terríveis
ruínas, uma nova estrutura é formada, somente pelo Seu poder.
Ó, que tu possas compreender a profundidade deste mistério
e aprender os segredos da conduta de Deus, revelados às criancinhas, mas
ocultos aos sábios e grandes deste mundo, que se consideram os conselheiros do
Senhor, e capazes de investigar Seus métodos, e Supõem que obtiveram essa divina
sabedoria, ocultos aos olhos de todos aqueles que vivem em si mesmos e estão
envoltos em suas próprias obras. Quem, por um vivo engenho e elevadas
faculdades, sobe ao Céu e pensa compreender a altura, profundidade e largura de
Deus?
Esta sabedoria divina é desconhecida para aqueles que
passam pelo mundo como pessoas de extraordinário conhecimento e iluminação. É
morrendo para todas as coisas e estando verdadeiramente desatentos a elas,
seguindo em direção a Deus, e existindo somente Nele, que chegamos a algum
conhecimento da verdadeira sabedoria. Ó, quão pouco se sabe de seus caminhos e
de sua conduta para com os seus servos eleitos. Raramente descobrimos algo
dela, mas, surpresos com a dissimilitude existente entre a verdade
recém-descoberta e nossas prévias idéias acerca dela, chamamos junto a Paulo:
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do
conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão
inescrutáveis, os seus caminhos!”
(Rm 11:33)
Ó Tu, Manancial de Amor! Pareces de fato tão zeloso pela
salvação dos que tens comprado que preferes o pecador ao justo! O Pobre
pecador, que se vê vil e miserável, é, por assim dizer, forçado a detestar-se a
si mesmo; e; vendo que seu estado é horrível, ele se lança, em seu desespero, nos
braços de seu Salvador, mergulha na fonte de cura e sai dela “branco como a
neve”.
Quão cheio de amor próprio são os que se justificam a si
mesmos, e quão vazios do amor de Deus! Eles se valorizam e se admiram em suas
obras de justiça, que acreditam ser uma fonte de felicidade. Tão logo essas
obas são expostas ao Sol da Justiça, descobrem que todas estão cheias de
impureza e infâmia, e isso lhes aflige sobremaneira. Enquanto isso, o pobre
pecador, é perdoado porque ama muito, e sua fé e amor são aceitos como justiça.
É próprio da sabedoria divina destruir o que está
construído com orgulho e construir o que está destruído; fazer uso de coisas
fracas para confundir os poderosos e empregar para Seu serviço aquele que
parece vil e desprezível. Isso Ele faz de uma forma tão surpreendente que chega
a transformá-los nos objetos do escárnio e desprezo do mundo.
Extraído de: Autobiografia de
Madame Guyon.
Madame Guyon.
Editora dos Clássicos
Site Rei Eterno. http://reieterno.sites.uol.com.br