A REALIDADE DO
CRISTIANISMO
Autor: A W TOZER
A verdadeira espiritualidade manifesta-se
nos desejos dominantes. Desejos presentes e profundamente arraigados,
suficientemente poderosos para motivar e controlar a vida.
1. Desejo de ser santo,
antes que ser feliz
2. Desejo de ver Deus
honrado com sua vida, mesmo que isto o leve a sofrer desonra ou perda
temporária. O Homem desses ora : “santificado seja o
teu nome” e acrescenta : “a qualquer custo Senhor”. Ele não tem necessidade de
debater a matéria com seu coração; não há o que se debater. Suspira ofegante
pela glória de Deus, como alguém asfixiado fica ofegando pelo ar.
3. Deseja levar a cruz, ou
seja, estar ligado à pessoa de Cristo, submisso a seu senhorio e obediente a
sua vontade.
4. Desejo de ver todas a coisas do ponto de vista de Deus. Atribui a todas as
coisas o mesmo valor que é atribuído por Deus. Seu olhar não fica na
superfície, mas penetra até o verdadeiro sentido das coisas.
5. Desejo de morrer na
retidão do que viver no erro. Nunca admite negociar qualquer fundamento do
cristianismo.
6. Desejo de ver outros
cristãos acima
Dele e fica feliz quando vê outros sendo promovidos e ele deixado de lado. Não
há inveja em seu coração; quando seus irmãos são honrados, fica feliz.
7. Desejo de fazer
julgamentos segundo a eternidade e não segundo os valores temporais.
Consequentemente prefere ser útil a ser famoso, servir a ser servido.
Se
Deus nos separou para ser objeto de Sua graça, podemos esperar que ele nos
honre com mais estrita disciplina e com sofrimento maior do que os outros.
O escultor não usa um estojo de manicuro para transformar o mármore informe e
rude num espécime de beleza. A serra, o martelo e o cinze
são instrumentos cruéis, mas sem eles, a tosca pedra será sempre destituída de
forma e beleza.
Para
fazer em nós a suprema obra de sua graça, Ele vai tirar do nosso coração tudo
aquilo que mais amamos. Tudo aquilo que nos leva a confiarmos em nós mesmos.
Cinzas amontoadas jazerão onde nossos tesouros mais preciosos costumavam estar.
O que
escrevo aqui não é nada original, todas as gerações de verdadeiros cristãos
observaram esta verdade. No entanto é necessária dizê-lo a esta geração de
“cristãos”, pois o tipo da mensagem atual não constitui nada tão sério e difícil
como isto. Ao que parece, a busca do cristão moderno é de paz mental, alegria e
apreciável prosperidade material, introduzidas como prova do favor divino.
Contudo,
alguns compreenderão isso, ainda que seja pequeno número deles, e eles continuarão o sólido núcleo de santos praticantes tão
seriamente necessário nesta hora grave, para que o verdadeiro cristianismo
sobreviva.
“Deus
nos chamou para o lado de Cristo”, escreveu um discípulo, “e agora o vento que
está dando no rosto de Cristo nesta terra; e vendo que estais com Ele, não
podeis esperar abrigo a sotavento ou do lado ensolarado da escarpa”
A
bela sensibilidade dessas palavras no diz que o vento está soprando no rosto de
Cristo, e porque o seguimos, também temos o vento soprando em nosso rosto. Não
devemos esperar menos.
O
anseio pelo abrigo ensolarado é natural, ninguém gosta de andar no vento frio.
Contudo os verdadeiros cristãos vem tendo que marchar com o vento dando em seus
rosto através dos séculos.
O
homem criou uma outra mensagem, oferecendo as pessoas o lado ensolarado da
escarpa, na avidez de se conseguir novos adeptos. Elas acreditam em nós, e o
primeiro vento frio as envia arrepiada a algum
conselheiro para ver o que está errado; e essa é a última notícia que temos de
muitas delas.
Os
ensinamentos de Cristo revelam que ele é realista no melhor sentido da palavra.
Em nenhuma parte do evangelho encontramos algo que seja visionário ou
exageradamente otimista. Ele dizia toda a verdade a seus ouvintes e deixava que
eles tomassem suas decisões. Ele podia entristecer-se com a retirada de um
interessado que não podia enfrentar a verdade, nunca porém
corria atrás dele para tentar ganhá-lo mediante róseas promessas. Ele queria
que os homens o seguissem sabendo o preço, ou, se não, deixava que seguissem os
seus caminhos.
Isso
é simplesmente dizer que Cristo é honesto. Ele nunca será popular entre os que
se perdem e sabe que seus seguidores não precisam esperar popularidade. O vento
que sopra em seu rosto será sentido por todos que viajam com Ele.
Atender
ao real chamado de Cristo muda de fato o pecador, mas não muda o mundo. O vento
continua soprando em direção ao inferno, e o homem que caminhar na direção
oposta terá o vento batendo no rosto. É importante considerarmos esta realidade
espiritual. Se as insondáveis riquezas de Cristo não merecem que por elas
soframos, é bom saber disso agora e parar de brincar de religião.
O
livro de Atos é a história de homens e mulheres que expunham o rosto ao rijo
vento da perseguição e do prejuízo, e seguiam a Cristo a qualquer preço. Sabiam
que o mundo odiou Cristo, e os odiava por causa Dele; mas mantiveram-se
inabaláveis.
A fé
vê de longe a vitória de Cristo e se dispõe a padecer qualquer coisa para ser
participante dela. A incredulidade não está segura de coisa alguma, exceto que
odeia o vento e aprecia a costa ensolarada da colina. Cada pessoa terá que
decidir-se sozinha, se poderá arcar ou não com o terrível fausto da
incredulidade.
Site Rei Eterno. http://reieterno.sites.uol.com.br