O MUNDO ODEIA OS CRISTÃOS: SERÁ MESMO ???
O mundo odeia os cristãos!!! Será mesmo???
“Dei-lhes a Tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.”
João 17:14
Será mesmo que o mundo odeia os cristãos? Será que isso é verdade nos nossos dias?
Alguns podem argumentar: isso é coisa do passado, para os tempos da Igreja Primitiva! Outros, podem ainda acrescentar: nos dias de hoje essa palavra pode ser aplicada aos cristãos que vivem em nações hostis contra o cristianismo, como a maior parte dos países asiáticos, por exemplo. Mas, não para nós cristãos que temos o privilégio de viver em nações democráticas, com liberdade de culto religioso garantida em nossas constituições. Alguns, julgando a partir de sua experiência pessoal, dão o seguinte testemunho: sou cristão há tanto tempo e não sinto, nem vejo que o mundo me odeia. Sou bem aceito pelos meus colegas, parentes e amigos. Não, o mundo não me odeia!
E você, o que pensa? Ou melhor, qual a sua experiência? É odiado pelo mundo ou aceito por ele? Sofre alguma oposição por causa da sua fé em Cristo ou pensa que isso é coisa do passado?
Antes de mais nada, precisamos entender ao que Jesus se refere quando menciona “mundo”. Ele não está se referindo à natureza, às criaturas, ou mesmo aos homens. Embora todos esses elementos estejam presentes no mundo, não é aos tais que o Senhor se refere especificamente. Jesus deixou claro que há um sistema, um reino que coexiste com o Reino de Deus e que se opõe a ele (João 15:18-20). Esse sistema ou reino tem os seus valores, conceitos, leis, conta com um exército e com uma ordem hierárquica de governo cujo príncipe ou autoridade maior é Satanás (João 12:31; 14:30; 16:11). Este é o mundo que odeia os cristãos e é deste mundo que os cristãos foram retirados, resgatados, salvos. No dizer de C. H. Mackintosh: “A mesma cruz que me livrou do inferno me separou do mundo.”
Jesus declarou que este sistema não tem parte nele. Também revelou que este reino já está julgado e condenado. Embora estejamos fisicamente inseridos neste mundo, espiritualmente fomos mortos, crucificados para ele e a recíproca deve ser sempre verdadeira: o mundo também está morto para nós, não nos suporta, opõe-se a nós da mesma maneira que nos opomos a ele desde que fomos dele resgatados por Jesus. É um sistema, uma ordem de valores contrários e afrontadores a Deus. Esse é o mundo que nos odeia.
Estamos inseridos numa atmosfera satânica, mundana que se opõe a Deus. Somos cercados e apertados neste contexto no qual os valores, costumes, pensamentos, crenças, enfim, TUDO se opõe ao governo e autoridade de Cristo. O irmão Watchman Nee bem enxergou esta realidade espiritual. São dele estas inspiradas palavras:
“Existe, então, um sistema ordenado, ‘o mundo’, que é governado por detrás das cenas por um governador, Satanás. Quando, em João 12.31, Jesus declara que a sentença do julgamento deste mundo foi proferida, não está dizendo que o mundo material ou os seus habitantes estão julgados. Para estes, o julgamento ainda está por vir. Em julgamento está a instituição, aquela harmoniosa ordem mundial, da qual o próprio Satanás é a origem e líder.”
Por fim, conclui o irmão Nee: “As Escrituras, assim, nos abrem o entendimento sobre o mundo ao nosso redor. De fato, a menos que olhemos para os poderes invisíveis por trás das coisas materiais, facilmente seremos enganados. (...) Já foi o tempo quando precisávamos sair para ter contato com o mundo. Hoje, o mundo vem ao nosso encontro. Há uma força que está seduzindo os homens. (...) Para qualquer lugar que você vá, mesmo entre cristãos, as coisas do mundo dominam as conversas. O mundo tem avançado para as portas da própria Igreja, buscando arrastar até os santos de Deus para seu domínio. Nunca antes precisamos tanto conhecer o poder da cruz de Cristo para nos livrar destas coisas como no presente tempo.” (Não Ameis o Mundo, pp. 14,15,20. Editora dos Clássicos, São Paulo, 2003).
Entendendo, então, o que Jesus disse quando afirmou que o MUNDO nos odeia, compreendendo o que é o mundo, podemos avançar um pouco mais para também entendermos que qualquer oposição, retaliação que venha a nós através das pessoas que estão inseridas no contexto do mundo — e infelizmente neste grupo ainda se encontram muitos professos cristãos —, tem a inspiração dessa atmosfera, desse espírito satânico que rege o mundo. Assim, não somos chamados para lutarmos contra os homens de carne e sangue (Efésios 6:12). Não! Mesmo que eles se oponham a nós, devemos enxergar que por trás deles, dos seus atos injustos e até cruéis contra nós está o príncipe deste mundo e é contra ele, e contra as suas hostes espirituais da maldade, a nossa luta.
Entendendo isto, voltemos ao nosso tema. Jesus disse que o mundo nos odeia. Sua afirmação é categórica, sem exceções. O mundo é um sistema invisível que se opõe ao governo de Deus e do Seu Cristo. Esse sistema tem que nos odiar, tem que se opor a nós e nós a ele. Por outro lado, para os que pensam que esta palavra de Cristo não é para nossos dias ou para o nosso contexto democrático, vale lembrar outra afirmação imperativa das Escrituras: “todo aquele que quiser viver piedosamente o reino de Deus, padecerá perseguições.” (2Tim. 3:12).
Então, o que dizer de nossas experiências como cristãos sendo aceitos, recebidos, aclamados, sem sofrermos oposição, vivendo muito bem nossa vida neste mundo do qual afirmamos não pertencer, mas do qual utilizamos, imitamos, absorvemos os valores? O que dizer quando Jesus afirmou: “Ai de vós quando todos os homens falarem bem de vós, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas!” (Lucas 6: 26)? E antes que alguém argumente que esta palavra foi dirigida por Jesus aos fariseus e saduceus da época, vale logo lembrar que o sermão da montanha foi proferido no meio de uma multidão, mas direcionado aos discípulos de Jesus (Mateus 5:1-2).
O mundo não lançará oposição, perseguição a nós, a menos que estejamos crucificados para ele, pois a partir disso é Cristo vivendo em nós (Gálatas 2:20) e isso o mundo não pode suportar. Vale ressaltar que não estamos falando aqui das oposições, lutas e desconfortos que o professo cristão enfrenta ou sofre por causa do seu pecado ou independência. Quanto a isto a Palavra é taxativa: “ Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte.” (1Pedro 4:15-16).
No momento em que você passar a desejar mais a comunhão com o Senhor, a almejar a Sua santidade, a lamentar e chorar pela distância abismal entre sua vida e a vida do que a Bíblia caracteriza como de um filho de Deus, no momento em que você passar a não se cansar de estar na presença do Senhor, a orar sem cessar, a meditar na Palavra com o prazer de quem come um manjar delicioso, no momento em que você parar de brincar de ser cristão e passar a questionar os seus valores pelo crivo da cruz, a partir deste momento a oposição começará. Quem já ultrapassou estes limites sabe que isto é verdade.
Enquanto permanecemos cegos e mortos o mundo não nos odiará. O mundo gosta dos assim chamados cristãos que seguem o seu curso. Cumprem alguns dogmas, é caro. Freqüentam cultos, reuniões, retiros, seminários. Cantam louvores (mais para agradar a sua alma, vale dizer), fazem orações, modificam alguns hábitos exteriores. Fazem tudo isso, mas estão cegos e mortos. E assim estando não enxergam o mundo, este mundo do qual estamos falando, e não podem abandonar o seu curso, pois um morto não terá condições de nadar contra o curso de um rio. Sua assim chamada ‘vida cristã’ é muito light, fácil, sem lutas, sem oposição. E, o pior, muitos dos que assim estão, cegos e mortos, ainda se disfarçam de líderes, pastores e mestres e embora Deus não os tenha chamado e não os esteja usando, eles vivem confortavelmente encenando uma vida cristã que não possuem e nunca provaram.
Cegueira e morte: nossa oração diária deve ser ‘Deus, nos livre disto!!!’. Devemos nos arrepiar diante destas palavras, pois os cegos e mortos espirituais sequer sabem que estão cegos e mortos. Têm nome de que vivem, mas estão mortos! Pensam que vêem, mas estão cegos! (Apocalipse 3:2,17,18). Devemos clamar como o cego Bartimeu: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!!” E depois: “Mestre, faça-me ver!” (Marcos 10:42-51).
A cegueira e a morte espiritual nos fazem aceitos pelo mundo, pois não incomodamos o mundo, nosso peito não arde pela responsabilidade que Jesus entregou a seus discípulos de pregar, batizar e ensinar! Nossa vida é uma mistura de bons hábitos, esforço humano e aparência de piedade. O mundo não nos odeia, antes nos adora! Não o incomodamos, não o ameaçamos, pelo contrário, amamos os seus valores, temos arraigados em nós os seus objetivos, falamos a sua linguagem, classificamos algumas de suas condutas como pecado (logicamente, aquelas escabrosas, dignas de um processo criminal), mas toleramos em nós mesmos a independência, a impureza, a idolatria, a avareza, a mentira e tantos outros valores aceitos e considerados pelo mundo como virtudes ou, no mínimo, pecadinhos toleráveis.
A Palavra nos relata a história de dois homens, um cego de nascença (João, cap. 9) e outro, morto (João, cap. 11). Quanto ao primeiro, não foi mencionado seu nome nas Escrituras. O segundo era Lázaro, de Betânia. Essas histórias com certeza têm algo a nos acrescentar e confirmam o que aqui estamos tratando: o mundo odeia os cristãos.
A primeira história nos mostra um homem cego de nascença. Ele apenas era cego. Nasceu cego. Não precisou fazer nada para se tornar um cego. As pessoas tentavam encontrar explicação para a sua cegueira, mas não encontravam. Julgavam que sua cegueira era um castigo por seus pecados. Mas não era isso. Jesus esclareceu que sua cegueira seria o pano de fundo perfeito para manifestar a glória de Deus. Nós, como esse homem, nascemos cegos. Não somos cegos por que pecamos, mas, antes, pecamos porque somos cegos. É da nossa natureza. Quando um homem nasce, ele não precisará cometer pecados primeiro para se tornar um pecador. Não. Aquele lindo e encantador bebê já nasce pecador e os seus primeiros anos de vida revelarão que há uma natureza inata nele que o inclinará à desobediência.
Mas, há algo de encantador nisso tudo. No momento em que a visão chega, as obras de Deus passam a ser manifestadas. Conhecemos a história. Aquele homem se encontrou com Jesus e o Senhor lhe deu visão. Milagre! Muitos ficaram perplexos, impressionados diziam: ‘é este aquele homem que conhecemos e que nasceu cego?’ Aquele homem nunca viu e agora podia ver. Seus olhos foram abertos e só Jesus poderia fazê-lo.
Todavia, logo o cenário começa a ficar hostil. Enquanto era cego, provavelmente atraía até a compaixão de alguns. No mínimo, com certeza, não enfrentou qualquer oposição por ser cego. Mesmo as pessoas que atribuíam a sua cegueira a algum pecado seu ou de seus pais, nunca o molestaram. Mas, no momento em que recebeu visão.... O mundo passou a odiá-lo. Ele agora era uma ameaça. Por causa dele outros poderiam ser salvos. Por causa dele o nome de Jesus seria engrandecido. Sua visão lhe custou caro: oposição, prisão, injúrias e expulsão da sinagoga. Aquele homem compreendeu que era cego e que só Jesus poderia ter lhe dado visão (João 9:33).
A história de Lázaro não é muito diferente. Estava morto. Seus parentes e amigos choravam por ele. Enquanto estava morto não era uma ameaça para o reino das trevas. Mas, algo aconteceu: ressuscitou, recebeu vida e isto através de Cristo. Logo se tornou indesejável. Sua vida era um atestado do poder e glória de Jesus. Muitos que não criam em Jesus passaram a crer por causa da vida que tinha recebido de Cristo. Por causa disso passou a ser odiado pelo mundo, que tratou de arquitetar um meio para que aquele homem voltasse a estar morto. “E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro, porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus.” (João 12:10-11).
Visão e vida: o mundo não as suporta. Maquinará e usará os seus recursos para garantir a cegueira e a morte de um homem. E continuará maquinando, mesmo depois que este homem recebeu visão e vida, para ofuscar a sua visão e roubar a vida que recebeu. Para isso o mundo usa algumas táticas previsíveis, mas que ao longo dos séculos têm conseguido êxito na vida de muitos. Provavelmente, primeiro vem a hostilidade, depois, caso não tenha dado resultados, o mundo tentará embaraçar este homem, contamina-lo com os seus valores, conceitos e modo de viver. Esta última tática não é menos danosa em seus resultados do que a primeira.
Falando em termos macro, sabemos que atualmente muitos cristãos padecem perseguições, cadeias e até morte em vários lugares do planeta. Governos hostis têm sido arma usada por Satanás para fazer calar aqueles que um dia receberam visão e vida da parte do Senhor. Muitos têm sofrido torturas e perdas por causa do nome de Cristo hoje. Ninguém duvide disso. Lembremos do exemplo da Igreja Subterrânea na China, recordemos da vida do irmão Yun e do que padeceu nestes dias por causa de Cristo naquele país.
Mas, nas chamadas nações democráticas Satanás tem usado a segunda tática: se você não pode vencer um inimigo, una-se a ele. Com isso, temos sido perseguidos não pela espada do mundo, mas por seus valores. Nossos filhos têm sido tragados não através das cadeias, açoites ou morte física. Não, eles têm sido tragados pelo mundanismo, com todos os seus valores e costumes. Os nossos alvos, modos de viver e pensar não diferem muito dos não-cristãos. O consumismo, a impureza de mente e corpo, a avareza, a ambição, a mentira, o materialismo, a ansiedade fazem parte das nossas vidas de maneira muito natural. O pior é que assim vivendo ainda nos enganamos por acreditar que teremos uma eternidade melhor do que aqueles que não professam a fé cristã.
É o cristianismo desprovido de Cristo. É a Igreja apóstata, que se prostitui com o mundo. É a ausência da autoridade da Palavra, que cada vez mais é interpretada de modo a dar espaço ao pecado e à independência na vida dos que se intitulam cristãos. Essa tática é muito eficaz. Ninguém está imune a ela. Vigiemos, pois o nosso adversário anda ao nosso derredor, como um leão faminto, buscando nos devorar (1Pedro 5:8). A única maneira de escapar é nos manter firmes na fé, “sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.” (v. 9).
Mas, ainda existe uma terceira tática. Caso a hostilidade e o mundanismo não funcionem, o mundo exercitará a sua oposição contra nós usando algo não menos terrível: a indiferença. O potencial de destruição dessa arma é grande. Ela não vem dos de fora, dos que não estão nem aí para Jesus, dos que assumidamente ou visivelmente não têm vida em Cristo. Não. Essa arma é usada através daqueles que pensamos estar no mesmo corpo que nós, comungando de uma mesma fé. Essa arma é dolorosa, cruel. O objetivo dela é gerar amargura, pois o Inimigo sabe que este pecado é como uma erva daninha que enrama e contamina toda a plantação.
Muitos não tiveram sua visão e vida subtraídas pela primeira ou segunda táticas. Mas, embora tenham resistido as perseguições e ao mundanismo, naufragaram quando a terceira arma foi usada contra eles. Foram feridos, traídos, mal falados, injuriados, não pelos de fora, mas pelos de dentro. Sofreram o terrível efeito da indiferença. A visão e a vida não leva os irmãos a odiá-los. Não, pelo contrário. São admirados, são muitas vezes referenciais de fé, firmeza e constância. Mas, são evitados, deixados de lado, esquecidos, “Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me aborrecia que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido, mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu amigo íntimo.” (Salmos, 55:12-13).
A única maneira de escapar dessa última arma é a cruz de Cristo. Não há resistência, contra-ataque ou qualquer meio de retaliação. O irmão não é meu inimigo. Satanás é. Não tem outra maneira de impedir a raiz de amargura, o desânimo, a tristeza causadas pela indiferença. É cruz, estar na cruz. É paradoxal. Estamos falando de vida e visão. De repente falamos de cruz, que é falar de morte. Mas, esta morte é diferente. Esta morte agrada a Deus. Esta morte abala o inferno. É a morte do EU. A morte da VIDA DA ALMA. “Porque qualquer que quiser salvar a sua VIDA DA ALMA perdê-lá-á, mas qualquer que perder a sua VIDA DA ALMA por amor de mim e do Evangelho, esse a salvará.” (Marcos 8:35).
Que o Senhor nos livre de sermos manuseados por Satanás como uma de suas armas contra aqueles a quem Ele deu vida e visão.
Que o Senhor nos livre de sermos atingidos por qualquer uma das armas do Inimigo a ponto de perdermos a vida e a visão que nos foram dadas por Cristo.
Que o Senhor nos revele a sua cruz, para que a arma da indiferença não nos cause qualquer dano. Afinal, se permanecermos na cruz, uma vez provada a morte do EU, ainda que esta arma seja usada contra nós ela não causará dor, nem dano, pois um morto não sente, nem se ressente.
Que o Senhor nos acrescente Vida e Visão. Que o Senhor tire de nós toda a cegueira espiritual e toda morte.
Que possamos cantar:
Quero estar ao pé da cruz;
de onde rica fonte;
corre franca, salutar;
do calvário monte.
Sim, na cruz;
Sim, na cruz;
sempre me glorio;
E enfim vou descansar;
salvo além do rio.
Recomendamos a leitura:
1- Não Ameis o Mundo. Watchman Nee. Ed. Clássicos.
2- O Homem do Céu. Irmão Yun com Paul Hattaway. Ed. Betânia
Site Rei Eterno (http://reieterno.sites.uol.com.br)
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