OS QUATRO TIPOS DE TERRENO (MAT 13: 1-23)
Os quatro tipos de terreno (Mat. 13: 1-23)
Adptado de “Frutos do Espírito Santo”, W. Phillip Keller, Editora Betânia
Em Cantares (4:12-16), a Bíblia nos fornece uma idéia de como Deus vê a sua família. Ele chama seus filhos, ou seja, a Noiva ou a Igreja, de seu jardim. Em Isaías (58:9-11), Ele demonstra que seus filhos são com um jardim regado. Ele busca em nós os frutos, os perfumados atributos que resultam do seu labor, no cultivo de nosso caráter. Porém a semeadura da palavra nem sempre encontra boas terras para frutificarem, tendo Jesus mencionado três tipos de terrenos ruins e um bom.
1. OS DA BEIRA DO CAMINHO : IMPRESTÁVEIS
O primeiro mencionado por Jesus foi os beira da estrada: a faixa de terra que fica à margem do caminho e que se torna endurecida pelo contínuo transitar daqueles que por ele passam em suas viagens. Jesus mesmo viajara muito quilômetros em estradas assim, sob o sol inclemente do verão. Muitas vezes seus pés ficaram empoeirados pelo pó fino que se levantava do chão. E ele vira muitas sementes espalhadas ao longo de seu caminho, soltas na superfície da terra. Era um desperdício de semente, uma esperança perdida. Ali ficaram, sem germinar, sem vida, improdutivas. Não era difícil para as aves avistarem esses grãos perdidos e arrebatá-los. O resultado final era que a terra ficava improdutiva.
Jesus disse que algumas pessoas eram como aquele terreno, denominando-as “beira do caminho”. O jardim de suas vidas foram pisoteados pelo constante passar de pessoas e influências, e assim ficara endurecido. A palavra não pode penetrar em vidas assim, tornando-se como pessoas que vivem na vaidade de seu sentido, entenebrecidos no seu entendimento, e separados da vida de Deus (Efésios 4:17-18), resultando na triste condição de mortos para Deus (Efésios 2: 1-3).
Na vida de um discípulo, há perigos de certas pessoas e influências que podem passar na vida de todos nós, criando esses trilhos de terra batida, nos levando para longe de Deus. Dentre outros:
- Amigos e conhecidos – quais são as pessoas que freqüentemente caminham pela minha vida? Que influência tem elas ? Será que elas podem pressionar minhas convicções, para que se tornem contrárias a Cristo? I Cor 6:14 questiona que comunhão tem a luz com as trevas?.
- A literatura que lemos; o lixo da TV; o uso da internet para banalidades – Podemos permitir que os veículos de comunicação de massa nos manobrem, tornando-nos como barro nas mãos dos outros. Podemos ser “batidos” por forças incansáveis, que podem atuar sobre nós, até que nossas convicções endureçam. As banalidades só conduzem à perversão e nunca a Cristo. O parâmetro da palavra é expresso em Filipenses 4:8 (“tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude, se há algum louvor, nisso pensai”.) e em I Tess. 4:22 (“abstende-vos de toda aparência do mal”).
- As músicas que estamos constantemente ouvindo – As músicas mundanas são produzidas por indivíduos de culturas convulsionadas, homens distantes de Deus, elas retratam e refletem as emoções violentas e o terrível desespero de homens em trevas. Suas letras incluem uma diversidade de conceitos do mundo, mensagens subliminares e ritmos que nos prendem no nível da carne. As chamadas “músicas românticas”, tão apreciadas por cristãos, não expressam o amor do ponto de vista de Deus, mas das paixões almáticas e carnais infladas pela carne e por Satanás. Você conhece alguma música "romântica" que estimule o amor conjugal, fidelidade, pureza..!? Alguma coisa parecida com I Coríntios 13 !?. O resultado é que elas podem levar-nos a fascinação pelos aspectos da velha vida natural. Em Filip. 4:8 temos os excelentes parâmetros. O perigo também está presente nas músicas que trazem uma falsa mensagem do evangelho. O lugar do adorador tem sido substituído por pretensos “artistas evangélicos” que se animam em usar o nome Jesus como mercadoria, visando sua promoção pessoal. Temos que ser criteriosos, sob pena de sermos bombardeados por enganos.
- A busca do prazer – O prazer, em seus vários tipos, pode tornar-se uma obsessão para o indivíduo, podendo tornar territórios perdidos para Deus. A Palavra afirma que essa busca leva o homem a blasfemar do que não entende, conduzindo-o a destruição por sua corrupção, tendo como recompensa o galardão da injustiça. (II Pedro 2: 11-13). Deus nos alerta a andarmos em espírito como único caminho de não cumprirmos os desejos da carne (Gálatas 5: 16).
- Nossas ambições pessoais – Nossas energias e forças podem ser direcionadas para outras direções. O veredicto está em provérbios 1:19 – “tais são as veredas de todo aquele que se entrega a cobiça, ela prenderá a alma dos que a possuem”.
- Nossos pensamentos particulares – Alguém já disse : “somos aquilo que pensamos quando estamos a sós, e não quando estamos em público.” É desse modo que Deus nos vê. Pontos de mágoas e ofensas, dentre outros, podem surgir e tornar terrenos de terra batida, impróprios para frutificação. Provérbios 28:13 diz que “os que encobrem as suas transgressões nunca prosperarão, porém os que a confessam e deixam, alcançarão misericórdia”.
2. OS DE TERRENO PEDREGOSO : SEM RAÍZES PROFUNDAS
Jesus viajando pela Palestina, encontrou estradas poeirentas que cortavam as colinas rochosas, onde os lavradores lutavam para arrancar da terra seca míseros punhados de cereais. Ele deve ter visto, muitas vezes, uma área de terra crivada de pedras ganhar uma cobertura verdejante, com promessa de uma colheita abundante. Todavia, alguns dias depois, ou talvez passada algumas semanas, a plantação secava, queimava e esturricava sobre o sol inclemente do verão. Não possuindo raízes profundas, toda a plantação morria, deixando frustado o agricultor.
Essas áreas, que obstinadamente recusamos submeter a Cristo, constituem solo estéril, cheio de rochas. Ali não há desenvolvimento. Não acontece nada. E não havendo um desenvolvimento contínuo, não haverá fruto. O veredicto da palavra está em João 15:2 – “Toda a vara que está em mim e não dá fruto, é arrancada...”.
Três fatos, entre outros, podem acontecer para nos tornas terrenos pedregosos:
- A descrença na Palavra – o ato de desobediência, determinada pela atitude de desprezar os mandamentos do Senhor, como se não fossem absolutos, desqualifica o homem como filho de Deus. A Bíblia diz que “A palavra do Senhor permanece para sempre” (I Pedro 1: 24-25) e Jesus, afirmou que “aquele que o ama é o que tem seus mandamento e os guarda” (João 14: 21-23). O grande perigo que ronda o cristianismo é a relativização da palavra, quando as idéias dos homens tentam prevalecer sobre a soberana palavra do Senhor. Por isso que em Colossenses 2: 7-8, a palavra nos exorta a permanecer arraigados em Cristo e não nos mover pela direção dos homens.
- A fé fundamentada em coisas ou pessoas, e não em Deus – As pessoas que não estão com sua fé bem fundamentada em Deus, facilmente se abalarão. Aquela pessoa que parecia entusiasmada com o Evangelho, se desmorona e deixa a muitos perplexos, porque sua fé não era sólida no Senhor. Muitas vezes essas pessoas se entusiasmaram por outras coisas, porém não experimentaram ao que a palavra chama de “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé.” (Hebreus 12:2).
- A preocupação com o eu – Se propor a viver uma vida oposta a vida natural, isto é, aborrecer a própria vida (Lucas 14:26), requer do homem um decisão definida e firme, disposta a desapontar seus próprios interesses. Este fato muitas vezes gera corações indispostos e frustados com o Evangelho. O jovem rico experimentou isto de forma muito profunda. (Marcos 10:17-31).
3. OS DO TERRENO CHEIO DE ESPINHOS : PERDIDOS ENTRE AS ERVAS DANINHAS
O terceiro tipo de terreno que Jesus mencionou como um tipo de solo improdutivo, é aquele cheio de espinhos. Esta terra estava infestada de ervas daninhas e espinhos. Qualquer jardim ou horta que estiver coberta de plantas nocivas é sufocado por elas e simplesmente não pode produzir nada.
Essas ervas – espinhos, abrolhos, cardos e urzes – possuíam a horrível capacidade de se multiplicar, e sufocar a plantação de tal forma, que ela ficava mirrada e abafada. E, praticamente, não havia produção de fruto. O Senhor disse claramente que a vida de alguns pode ser assim. Ela se acha tão infestada de coisas nocivas, que não há possibilidade de colheita.
Às vezes, as sementes dos espinheiros eram trazidas de muito longe, pelo vento. Os passarinhos, que se alimentavam de frutas e cardos, depositavam o esterco em qualquer plantação e com ele as sementes nocivas. Somente com cuidado incessante e muito esforço é que o agricultor conseguiria um terreno belo e produtivo. E a despeito de todo esse trabalho, esses invasores poderiam aparecer para impedir uma frutificação plena.
Jesus falou que uma alma infestada desses elementos nocivos tornava-se imprestável. A boa semente da Palavra de Deus, que em nós é plantada, simplesmente dá em nada. Ela é sufocada pela tremenda e feroz competição que lhe é imposta por outros ideais. Dentre os quais:
- Os cuidados, ansiedades e preocupação com os interesses deste mundo – Tozer disse que não há nada mais trágico para um ser humano, que lutar ferozmente durante toda uma vida, se desgastar no árduo caminho do reconhecimento humano, atingir o topo, ser glorificado pelos homens, após tudo isso ser corroído pelo terrível medo de ter que ceder seu lugar para outro que também encontra-se na mesma corrida, sendo que após todo essa vida de busca por coisas passageiras, não ser reconhecido por Jesus na sua gloriosa volta. I João 2: 15-15 é um verdadeiro laudo de como Deus vê os valores dos homens em trevas : “Não ameis o mundo e nem o que no mundo há, pois o que há no mundo são os desejos da carne, os desejos do olhos e a soberba da vida, isto não vem do Pai, mas do mundo. O mundo passa e seus desejos, mas o que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. O desejo de “ser” é tão nocivo quanto o de “ter”.
- O engano das riquezas; o fascínio da prosperidade – este parece ser um dos piores males que atinge nossa sociedade. O constante movimento das pessoas é muitas vezes impulsionado pelo desejo de “ter". Numa sociedade em que muitas vezes somos avaliados pelos bens que possuímos, as pessoas correm constantemente em busca de satisfazer os parâmetros impostos. Na vida de um discípulo o fato pode aparecer na medida que gradativamente encanta-se com os fascínios do “ter" , perde-se as convicções e abre-se a alma a louca e mortal corrida pelas riquezas. Em I Timóteo 6: 8-10 , a Palavra de Deus nos ensina o saudável caminho do contentamento, como única forma de escaparmos da cobiça das riquezas, revelando que esse desejo conduz o homem em laços e desejos loucos e nocivos, levando-o a ruína e perdição.
- A ambição das coisas ; o magnetismo do materialismo – O desordenamento de valores leva a maioria das pessoas ao fascínio com o materialismo. A hipnose pela atração das coisas torna-se um problema para o indivíduo. O pior desse processo é que ele se torna escravo desse desejo louco. Temos que viver acima do alarido e das confusões dessa sociedade perdida e m sua loucura. A palavra é taxativa quando diz : “...foge dessas coisas...” (I Tim 6:11).
4. OS DO TERRENO BOM : FRUTÍFEROS
Em dramática diferença com os solos improdutivos, acha-se aquele que é descrevido como de “boa terra”. Ele afirmou que, quando a boa semente é plantada nesse solo bom, pode-se obter um jardim cheio de frutos. Em alguns casos renderia 30 vezes a semente plantada, em outros 60 , e em outros 100. Ele disse que essas pessoas :
- Ouvem a Palavra e tudo que há nela (principalmente nos pontos que mais somos confrontados)
- Recebem e aceitam essa Palavra (numa atitude de prontamente ajustarem suas vidas a vontade de Deus)
- Produzem o fruto do Espírito (a marca principal de qualquer ser vivo é sua capacidade de reprodução)
Em Lucas 6: 47-49, podemos ver essa sequência, quando Jesus disse que aquele que ouve as suas palavras, e as observa é semelhante ao homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha e ela não se abalou com a enchente. Para que isto aconteça, temos que ter os seguintes atitudes em relação a Palavra:
- Reconhecer que ali é Deus que fala (Isto provém de fé e de percepção espiritual – I Cor 2:14).
- Acatar como único parâmetro de vida. (A Palavra é absoluta e inquestionável – I Pedro 1: 24-25)
- Prontamente e rapidamente correr para fazer aquilo que ela determina (condição para sermos filhos de Deus, algo bem definido em I João 2:6 , Tiago 1: 22-16, II Tim 4: 2-5 , entre outros textos).
Em Mateus 7: 21-29, Jesus diz que não seremos julgados pela quantidade de obra que fizermos, mas pela pronta obediência a sua Palavra. E diz que aquele que ouve a Palavra e não pratica, é como aquele que construiu sua casa sobre a areia. Em João 15:14 ele chama de amigo a todo que cumpre a palavra, tendo no v. 10 a promessa que estes permanecem no seu amor.
“Jesus dizia aos judeus que criam nele : se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos ; e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”
(João 8: 31-32)
Site Rei Eterno (http://reieterno.sites.uol.com.br)
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